sábado, 12 de maio de 2012

breve e semi-breve

A morte de uma figura pública permite vozes demais. Se o País perde um talento, um virtuoso, um homem genial, porque importa a forma como realmente o perdeu? Tantos génios ficam perdidos, enquanto vivem e duram, sem que consigamos saber deles, dar conta, anunciar, admirar e até senti-los. Se a morte é acidental, lamentamos. Se a morte vem de embalo nessa dura realidade que é o querer apressá-la, também lamentamos. A morte é apenas morte quando perdemos os que amamos. Pelo menos, naquele exacto momento. Um homem novo fará sempre falta, nem que seja à sua mãe. Um homem, pai, fará sempre falta à mais tenra família e prole. Um amigo será sempre lembrado e deixa saudade o abraço. E o amor também não vai, como se fosse o fim. O artista que parte deixa o mundo mais pobre. Ou mais rico, porque nele passou e deixou. A vida é breve se somos felizes. Semi-breve, se ocupados. Morte, se estamos sós.

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