terça-feira, 15 de maio de 2012

O que realmente importa

A gata Christie enrosca-se no meu colo e semi-cerra os olhos quando lhe passo os dedos pelo interior das orelhas. Mordisca-me o indicador e desata a lamber-me a mão nos intervalos. Está viciada na comida fresca do Felix. Ainda nem acabei de esvaziar o pacote e já ela mete o focinho e molha os bigodes no prato. Quando me lambe os dedos deve lembrar-se que sou quem lhe dá saborosas refeições. Há várias maneiras de dar importância ao que realmente importa, mas há muitas mais de desprezá-lo. Tenho passado os últimos tempos a tentar aprender uma ferramenta, que julgo inata, de auto-controlo. Às vezes dou por ela a fugir-me entre os dedos, já depois de ter dado uma resposta irritada, de ter enviado um email demasiado irónico ou de, simplesmente, ter dito mais do que simplesmente "caneco". Devo ter ouvido, numa qualquer formação, nos últimos 19 anos, que a impulsividade é inimiga da paz de espírito e da boa gestão. Sobretudo, é inimiga do sentimento de dar importância ao que realmente importa. A gata Christie não foi aos workshops de liderança e afins. Mas sabe mais do que eu.

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